CARTA EPISCOPAL
LAMBETH, A COMUNHÃO ANGLICANA E A IEAB
 
São Paulo, 20 de agosto de 2008

Caros irmãos e irmãs em Cristo,

Como falei no Concílio da DASP, a Conferência de Lambeth foi uma experiência altamente espiritual e enriquecedora. Acredito que o Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, foi divinamente inspirado quando ao resolver mudar o formato da conferência de uma série de plenários e resoluções para momentos de espiritualidade e diálogo. Embora não tenha usado estas palavras, ele basicamente convidou os Bispos a viver o Evangelho e não somente falar sobre o Evangelho.

Dialogar não é nada fácil, porque demanda de nós que paremos para ouvir e tentar entender o ponto de vista da outra pessoa e não só tentar impor nossas idéias ou posições. Como é fácil criticar nosso irmão ou irmã; como é fácil ridicularizar nosso irmão ou irmã e como é fácil condenar nosso irmão ou irmã. Da mesma forma, é tão fácil justificar as nossas palavras ou ações e até encher nossas justificativas com lindas citações da Bíblia. Porém, tudo disso fecha o caminho para diálogo.

Como tornou evidente para os bispos presentes na Conferência de Lambeth, existe um pré-requisito para um diálogo cristão – é necessário que ambos os lados estejam em plena comunhão com Deus antes de tentar manter uma conversa com seu próximo. Na Conferência, nossa comunhão com Deus foi reforçada com o retiro espiritual de três dias dirigido pelo próprio Arcebispo de Cantuária e a rotina diária de Santa Eucaristia de manhã, devoção ao meio-dia e oração vespertina à tarde. Além de tudo isso, tivemos os estudos Bíblicos todas as manhãs em pequenos grupos de oito bispos que possibilitou maior comunhão com Deus e um com o outro que, por sua vez, resultou em fortes laços de amizade (para não dizer amor) nunca imaginável antes.

É verdade, que mesmo estando naquele ambiente seguro e envolvidos com a presença do Espírito Santo, sentimos dor e tristeza, sabendo que alguns de nossos colegas não estavam presentes. Reconhecemos e entendemos a posição deles e oramos por eles. Uma coisa que sei é que nossas diferenças nunca serão resolvidas a não ser que ambos os lados estejam dispostos a sentar e dialogar de maneira cristã, permitindo que o Espírito Santo dirija nossos pensamentos.

Agora estou de volta ao Brasil. Enquanto os problemas da divisão na Comunhão Anglicana parecem um pouco mais afastados, os problemas de divisão na IEAB estão cada vez mais reais e mais pertos. Os eventos que abalaram a Diocese de Recife ainda são muito presentes e dolorosos. A crise na Diocese de Curitiba provocada pelo desentendimento entre o Bispo Diocesano e o Deão da Catedral está longe de ser resolvida.

Mesmo aqui na DASP as coisas não vão bem. Neste fim-de-semana um de nossos mais esforçados ministros se levantou e saiu no meio do concílio Diocesano por sentir-se desrespeitado por seus colegas.

O que está acontecendo com a nossa diocese, a IEAB e a Comunhão Anglicana?

Acredito que, mesmo com as melhores das intenções, as vezes estamos agindo conforme os caprichos de nossos corações e mentes em vez de escutar a voz do nosso Senhor e procurar humildemente fazer a sua vontade.

O que devemos fazer? Acho que devemos seguir a prática recomendada pelo Arcebispo de Cantuária na Conferência de Lambeth e aperfeiçoar nossa comunhão com Deus e abrir os nossos corações para um diálogo cristão.

Peço que cada membro ore que para que o espírito que reinou em Lambeth prevaleça em nossa Igreja para que a paz de Cristo esteja realmente conosco.

Vosso Bispo,

+Roger D. Bird