CARTA PASTORAL
Somos uma Igreja Episcopal, Membros da Comunhão Anglicana.
 
São Paulo, 16 de abril de 2006, A.D.
Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Amados Irmãos (as)

"A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês." Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: "Recebam o Espírito Santo." Jo 20,21-22.

Na Igreja Episcopal Anglicana, temos a Constituição e os Cânones Gerais como normas e referenciais, semelhante a outras Igrejas Irmãs que também possuem seus códigos de lei que determinam a administração da Igreja.

No entanto, para Igreja Episcopal Anglicana, as Sagradas Escrituras, os Credos e o Livro de Oração Comum são também partes da Lei Eclesiástica em amplo sentido, bem como as deliberações do Concílio e Sínodo, e no interregno dos mesmos, as determinações dos respectivos órgãos oficiais da Igreja (Conselho Diocesano e Executivo).

Tendo em vista essa realidade eclesial, sempre primamos pela colegialidade, mesmo antes da fundação do sistema democrático e congregacional existentes na sociedade. O Episcopado, portanto, tem suas origens nas tradições antigas da Igreja, e o Bispo como Guardião da Fé e Pai em Deus de todo Povo, zela por esse compromisso colegial e representa o Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Dessa forma, as Igrejas históricas valorizam o Sagrado Ofício do Episcopado de tal maneira, a considerar a Diocese como uma unidade eclesiástica, abstraindo-se de toda forma de paroquialismo e congregacionalismo.

Sem dúvida, após a Reforma Religiosa, sugiram algumas denominações que consideram a paróquia (congregação) como uma unidade mínima eclesiástica, sendo todas estas Igrejas congregacionais. Mas nós, episcopais anglicanos, confessamos que a Diocese é a única unidade eclesiástica! Segundo nossa confissão de Fé, a Diocese não é uma federação de paróquias. E o Concílio Diocesano não é somente momento de se discutir assuntos administrativos da Diocese, mas momento de refletir e orar pela vida e ministérios da Igreja.

Após quatro anos de episcopado, tenho que confessar que estou seriamente preocupado com o futuro da Diocese Anglicana de São Paulo. A formação teológica, que é incisiva para o futuro da nossa Igreja, tem sido afetada séria e diretamente. Estamos gastando quase 60% do nosso orçamento com a formação dos futuros ministros ordenados. Hoje temos onze seminaristas, entre candidatos e postulantes, e aproximadamente vinte aspirantes, além de dois sacerdotes que pretendem ingressar na nossa Diocese. Alguns seminaristas estão passando por uma fase financeiramente crítica, o que atinge também sua vocação. Como bispo, lamento não poder fazer nada, sabendo das dificuldades dos seminaristas.

Mesmo com tais dificuldades financeiras, estamos investindo para abrir novas comunidades e proclamar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo como campo missionário as cidades de Suzano, Bauru, São Bernardo do Campo, Vinhedo, e Sul de Minas.

Agora, lembrado das orientações do Apóstolo Paulo em sua primeira carta a Timóteo no capítulo 2 versículos de um a três, de que se faça pedidos, orações, súplicas e ações de graças em favor de todas as pessoas, utilizo-me da presente carta, para solicitar a todas as paróquias que tenham presente essa intenção.

E como bem sabemos, a nossa Fé tem sua máxima manifestação em nossas obras de amor em favor de todos os filhos de Deus (cf Tg 2,14ss), como transbordamento do próprio amor de Deus em nosso favor, exorto-vos a contribuir com fidelidade e regularidade com a quota diocesana, como sinal do seu compromisso de amor e gratidão com Deus e sua Santa Igreja.

E que a Bênção de Nosso Senhor permaneça com todos vocês agora e para sempre, e que sua misericórdia os console em todos os momentos!

+Hiroshi Ito
Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo