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O mundo de hoje


Estamos nos tornando tão acostumados a ler sobre violência que perdemos nosso senso de proporção. Por exemplo, lemos que uma bomba explodiu num supermercado lotado e que somente seis pessoas foram mortas. Enquanto o resultado desta explosão poderia ter sido bem pior, o fato trágico continua que seis pessoas foram assassinadas e não SOMENTE seis pessoas mortas. Estamos nos condicionando a acreditar que uma tragédia somente ocorre quando cinqüenta, cem, duzentas (?) pessoas morrem. Ignoramos o fato que, mesmo quando somente uma pessoa inocente morre, isso é trágico.

Precisamos somente considerar o destino daquelas crianças na escola em Beslan ou os reféns inocentes no Iraque, para ver que existe algo muito errado com a humanidade e que não mais existe respeito pela vida humana. As atrocidades cometidas por ambos os lados do conflito entre Israelenses e Palestinos fomenta mais e mais ódio e menos e menos respeito pela a vida humana. Podemos nos consolar dizendo que as pessoas envolvidas nesses incidentes vêm de uma cultura bem diferente da nossa e, portanto isso não aplica a nós. Eles são diferentes de nós.

Depois, abrimos nossos jornais e lemos que uma outra pessoa que mora nas ruas foi assassinada no centro de São Paulo. Possivelmente a palavra "assassinada" é suave demais porque essas pessoas foram brutalmente espancadas à morte com paus e barras de ferro. Embora isto esteja mais próximo de nós, mais uma vez consolamos a nós mesmos dizendo que nós não somos iguais essas pessoas.

Recentemente fomos bombardeados por e-mails falando sobre a Igreja Anglicana. Para meu horror, descubro que vidas estão sendo destruídas dentro da nossa Igreja. Eu não estou me referindo aos cristãos sendo martirizados na África, estou referindo aos reverendos "conservadores" sendo expulsos de suas paróquias por um bispo "liberal", e reverendos "liberais" sendo destituídos de suas paróquias por um bispo "conservador". É verdade que suas vidas não foram fisicamente tiradas, mas sim seu ministério. E tudo isso está sendo feito em nome de Deus. É triste e lamentável.

Em todos esses casos pessoas apresentam argumentos para justificar suas ações. Muitas vezes, esses feitos desprezíveis são feitos em nome de Deus ou Alá, como se fosse possível que Deus ou Alá os aprovasse. A verdade é que mais e mais gente está deixando se iludir para acreditar que os fins justificam os meios. Até os programas de TV estão minando nossa moral apresentando cenas que vão contra nossas tradições como algo perfeitamente normal e aceitável. Quantas vezes ouvimos estas palavras: "Mas todo mundo faz isso"?

São Paulo em sua segunda carta a Timóteo parece ter previsto tudo isso. Ele escreveu "Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”.(2 Tim. 4:3-4). Nós, o povo de Deus, precisamos estar atentos a essa previsão de São Paulo e procurar a vontade de Deus através da oração guiados pelo Espírito Santo.

Enquanto não podemos mudar o mundo inteiro, podemos influenciar aqueles que estão vivendo em nosso meio por palavra e exemplo. Durante séculos nossa sociedade conseguiu sobreviver observando os dez mandamentos: "Não furtarás, não matarás, não adulterarás, etc." Parece-me que estes mandamentos foram esquecidos embora são fundamentais para cumprir a ordem de nosso Senhor para amar seu próximo como a si mesmo. Se tentarmos viver por eles e tentarmos ensinar esses valores a nossos filhos e netos, possivelmente seremos rotulados antiquados, mas pelo menos seremos Cristãos que não são dominados pelos ventos da sociedade.

Por isso não estou dizendo que todo pensamento novo esteja errado. Precisamos sempre lembrar das palavras de São Paulo aos Tessalonicenses "Não atrapalhem a ação do Espírito Santo. Não desprezem as profecias. Examinem tudo, fiquem com o que é bom e evitem todo tipo de mal". (1 Tess. 5:19-22) Como devemos fazer isto? Através da oração pedindo a orientação do Espírito Santo e examinado tudo à luz das Escrituras Sagradas, da tradição da Igreja e da razão. Fazendo isso, estaremos em paz conosco mesmos e com Deus.
Revmo. Roger Bird
Deão da Catedral Anglicana de São Paulo


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