mensagem
Mulher, assunto delicado


Escrever sobre mulher me faz sentir como que caminhando sobre um campo minado. Pior seria se eu fosse homem. Não, não estou dizendo que é pior ser homem do que ser mulher. Ou que é pior ainda ser homem do que se sentir caminhando sobre um campo minado. (Eu sei que os rapazes não interpretaram a frase assim.) É que acho o tema “mulher” um tanto delicado. Ou explosivo. Mas uma mulher que escreve sobre mulher me parece, de início, ganhar certa imunidade às eventuais críticas do público feminino. Por outro lado, sinto o perigo de meu texto parecer feminista. Ou piegas.

Foi-se o tempo em que haveria uma Mulan, que se faria passar por homem para ser aceita nas fileiras imperiais bélicas e lendárias chinesas. Foi-se o tempo em que haveria um Diadorim, uma moça, mas que se vestiria como um homem para lutar nas páginas sertanejas de Guimarães Rosa.

Penso na galeria de personalidades famosas da história, e nas poucas mulheres ali presentes. Certamente se a participação feminina tivesse sido maior, ou se no passado o feminino tivesse permissão para entrar nos vários meios, teríamos tido um outro rumo, mais interessante, colorido, talvez. Teríamos uma outra visão de mundo, da natureza, outros modelos. Pelo menos seria uma visão mais diversificada, equilibrada.

O cenário muda. Mas permanece no nosso meio o assunto delicado, o tratamento do feminino e masculino. Permanece o “ficar na defensiva”, existe ainda certo complexo de inferioridade em alguns setores femininos. Permanecem também algumas zombarias masculinas (para piorar).

Aconselham-se aos homens que nunca digam que as mulheres são diferentes. Pois algumas mulheres podem se ofender com o “ser diferente”. Podem entender que eles disseram que elas são inferiores a eles, menos capazes que eles. Melhor dizerem que elas têm um diferencial. Esse é um termo positivo.

É compreensível que haja esse clima de desconfiança. Um lado precisa cuidar das palavras usadas em referência a elas. O outro lado precisa se livrar de algumas dessas manias de perseguição.

Nas aulas do curso de Teologia, disseram que olhares ainda um tanto surpresos são dirigidos a nós, quando nos apresentamos como seminaristas, mulheres. A Igreja Anglicana é, assim, admirada, pois se coloca à frente do tempo (ou correndo atrás do prejuízo) na questão da ordenação de mulheres.

Se é que esse mundo pode ser dividido entre feminino e masculino, nós só queremos nos colocar a serviço de Deus. Simplesmente servir ao Senhor, por amor a Ele. Pois creio que Deus nos chama, homens ou mulheres.

Enquanto isso, nosso tempo é de cuidar dos traumas e cuidar das palavras usadas nos assuntos relacionados ao feminino. Ou tudo pode ir para os ares, elas indo parar em Vênus, eles em Marte.
Carmen Kawano
Postulante da Diocese Anglicana de São Paulo


Copyright IEAB - Diocese Anglicana de São Paulo - 2001/2007 Site by Virtually    Hosting by Microeng