mensagem
por: Álvaro Antunes Jr.


Vivenciamos o início do século XXI e enfrentamos dois desafios que abalam a estrutura familiar - a Drogadicção e a AIDS. Nesta mensagem, foco meu pensamento no primeiro desafio. Mas antes, gostaria de esclarecer quais os tipos de famílias constituem nossa sociedade: as disfuncionais e as funcionais. As famílias ditas disfuncionais são aquelas cuja convivência entre seus integrantes é desarmoniosa, ou seja, casais que não se entendem perante a criação de seus filhos e que não desenvolvem elos de amizade e compreensão, produzindo um matrimônio sem diálogo e sem laços de afetividade. Ao contrário, as famílias funcionais são aquelas que pais e filhos dialogam entre si e desenvolvem elos de amizade, compreensão e amor; o que consideraríamos um ambiente propício para o desenvolvimento e o crescimento de crianças e adolescentes. Mas, tanto neste quanto naquele modelo familiar verificamos que há diferenças de preceitos, educação e índoles primárias no desenvolvimento pessoal de cada ser (de filho para filho).

Assim, perguntamos: por que acontecem casos de dependência química (Drogadicção) nas famílias em que o diálogo é aberto? Com simplicidade pode-se dizer que a Drogadicção não distingue esse ou aquele modelo familiar, portanto, todas as famílias são passivas a ela; vale lembrar que, as drogas lícitas (cigarros e bebidas alcoólicas) vendidas pelo comércio, mediante autorização governamental, estão presentes em alguns lares, sendo utilizadas em confraternizações familiares e sociais, além de serem cultuadas em lindos bares espalhados pelos cantos das cidades. E ressaltamos que, atualmente, a Drogadicção não é um assunto restrito aos consultórios de psicanálise porque envolve outros setores como o financeiro, o político, o policial..., dificultando seu combate em todo mundo.

Estando estes aspectos elencados, qual seria o papel dos clérigos e de todas as Igrejas Cristãs no auxílio das famílias que, por um motivo ou outro, sofrem com essa problemática - a dependência química? Seria ficarmos simplesmente olhando tudo acontecer? Efetivamente não podemos deixar que elas passem despercebidas pela sociedade e por nossa Comunidade Cristã. Devemos e podemos curá-las, independente de suas condições social e racial, seguindo o que escreve o evangelista Mateus (13,15): "O coração deste povo está endurecido, e ouviram de mal grado com seus ouvidos (...) e compreendam com coração e se convertam, e os curem." Eis as palavras chave: "convertam e os curem". Portanto, sejamos bem-aventurados para ministrar em nossas vidas e nas vidas dos irmãos dependentes o Evangelho de Nosso Senhor, que é simples e nos pede a dedicação para aprender e ensinar as sábias palavras de Deus; sejamos como a menor de todas as sementes, que cresce e transforma-se em uma frondosa árvore para aninhar os pássaros em seus ramos, construindo abrigos para confortarmos nossos humildes irmãos que sofrem a sua dependência química, libertando-os desta opressão.
Álvaro Antunes Junior
Postulante da Diocese Anglicana de São Paulo
Trabalha na ‘Casa Dia” – Centro de recuperação de jovens químico-dependentes


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