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Ser cristão sem preconceito...


Sempre que ouço a frase: “eu sou cristão”, uma preocupação ocupa o meu pensamento; porque acredito que ela tem a nos dizer muito mais do que as suas palavras. Dizer: eu sou cristão, é assumir um compromisso com o nosso mestre e Senhor. Assumir este compromisso não é moldar o que Ele pregou e viveu à nossa vontade ou ao nosso desejo, fazendo da Igreja ou comunidade de fé um clube, onde recebemos e aceitamos apenas aqueles com quem temos afinidades.

Durante boa parte da minha vida, meditei e preguei sobre a pessoa de Jesus Cristo e suas obras, mas uma pergunta sempre me inquietou; algo sempre me incomodou, principalmente, quando encontrei pelo caminho pessoas que não cultivavam uma amizade com Deus ou sequer aceitavam a sua existência. Diante de tal fato, questionava-me: como pode uma pessoa não crer em Deus? E, ao mesmo tempo, outra pergunta ecoava em meu ser: será que creio em Deus porque o conheci quando nada me faltava, quer espiritual, quer materialmente? Se a minha situação fosse semelhante à daquele irmão que não acredita em Deus, acaso a minha revolta não seria ainda maior?

Acredito que é muito fácil aceitar e viver Deus quando as coisas vão bem, quando tudo caminha para o bem; o difícil é lidar quando não está bem. Falar sobre a pobreza quando não se é pobre não é difícil; colocar o dedo na ferida dos outros parece fácil quando a dor não nos atormenta. Por isto, defendo um cristianismo sem preconceito, mais fácil de pregar e difícil de viver, porque o preconceito trava, em nós, humanos, o poder do amor de Jesus e de Deus. Interessante seria se pudéssemos viver plenamente a ausência do preconceito, mas infelizmente não podemos, porque somos fracos.

Acredito na máxima que afirma: “A maior frustração do homem é não amar a todos por sua própria natureza”. Ao vivermos o amor pleno, ou se tentamos vivê-lo, entendemo-lo como determinação ou mandamento de nosso Mestre, em vez de ser uma coisa natural. Mas acredito na misericórdia de Deus e sei que Ele aceita com benevolência as nossas tentativas frustradas de amar o próximo, pois se não tentarmos, mesmo diante das nossas limitações, estaremos em dívida com o pensamento e o ato chamados CRISTÃOS.
Ismael Hultado
Aspirante da Diocese Anglicana de São Paulo
Ministro Leigo nos pontos missionários no Sul de Minas Gerais


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