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Deus nos interessa realmente?


O que é Deus, como é Deus, como age Deus? Eis algumas perguntas pelas quais um cristão não pode se desinteressar. Mas, interessam realmente? Não, só aos outros. O próprio cristão as considera importantes?

Suponhamos o seguinte: Se alguém viesse dizer-nos que o Concílio decidiu substituir a fórmula tradicional “três pessoas distintas e um só Deus” por esta outra: “três deuses e uma só pessoa”; reconheçamos que a maioria entre nós tomaria nota cuidadosamente da mudança e, embora intrigados ou talvez até irritados com a inovação, continuaríamos em nossa vida cristã, sem que nada de verdadeiramente importante para nós tivesse vindo abaixo. E, contudo, professávamos que nisto consistia a quinta-essência da mensagem cristã.

Efetivamente, em nossos dias, o interesse por estas questões só se observa sociologicamente, em grupos bastante especializados, reduzidos e, até certo ponto, snobs. As passagens que permitem aos teólogos dissertar daquilo que é Deus em si, independentemente da nossa vida e da nossa história, podem quase ser contadas nos dedos da mão, e ainda assim é duvidoso que possam ser tiradas de um contexto onde Deus se revela sempre em diálogo com a existência humana. Isso não seria estranho, se o centro e a quinta-essência fossem precisamente o mistério da Trindade?

Se a mensagem de Jesus nos fala, toda ela, da nossa existência e da nossa transformação, deve ser porque por seu intermédio e somente por ela conhecemos o que Deus é em si. “Infelizmente, o homem tem, sobretudo medo de Deus. Teme queimar-se em contato com ele, como os antigos israelitas ao tocar a Arca. Daí tantas sutilezas para negá-lo, tanta habilidade em esquecê-lo ou tantas invenções piedosas para amortecer o seu choque... Incrédulos, indiferentes, crentes, todos rivalizamos para proteger-nos de Deus”.

Voltaire dizia que Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança, e o homem lhe havia retribuído na mesma moeda, fabricando-se um deus segundo sua própria feitura.

Concluindo, podemos dizer que excluímos com demasiada rapidez o problema da idolatria em nossa sociedade. Não basta pronunciar uma palavra para pôr-nos em contato com a realidade designada. Também não basta repeti-la até o cansaço (Mt 7, 21), nem repeti-la dentro do recinto do templo ou das cerimônias da Igreja. “Se falto ao amor ou se falto à justiça, afasto-me infalivelmente de ti, Deus, e o meu culto não é mais do que idolatria. Para crer em ti, devo crer no amor e crer na justiça, e é muito mais importante crer nestas coisas do que pronunciar o teu Nome”, Porque é precisamente esse o teu verdadeiro Nome...
Rogério de Assis
é Candidato às Sagradas Ordens da Diocese Anglicana de São Paulo


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