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Mensagem do Revmo. Deão Churchill Pinder


Fragmentos do Sermão do Revmo. Deão Churchill Pinder da Catedral Episcopal de São Estevão, Diocese da Pensilvânia Central, proferido na Ordenação Diaconal dia 06 de maio na Catedral Anglicana de São Paulo.

É um prazer e privilégio estar aqui a convite do Bispo e junto com os quatro ordinandos Valéria, Leandro, Sérgio e Severino. Para mim essa é uma verdadeira experiência de Pentecostes! Valéria, Leandro, Sérgio e Severino – obrigado por ter me convidado. Esta ocasião traz à tona memórias da minha ordenação ao serviço diaconal em 1983 num pequeno vilarejo nas montanhas Eagle Cap em Cove, Oregon. A celebração foi realizada ao ar livre com as montanhas em nossa volta e meu Bispo diocesano tinha convidado o Bispo Desmond Tutu para comparecer e dirigir nosso acampamento familiar. As injustiças do apartheid ainda devastavam o país, portanto foi um momento de grande poder. Bispo Tutu assustou-nos com uma oração de abertura em sua língua nativa africana e perto do fim ele pausou, abriu um olho, nos observou atentamente e começou a sorrir. Então Bispo Tutu disse: “alguns de vocês parecem preocupados porque vocês não sabem o que eu estou orando. Não fiquem preocupados! Deus entende!”.

E eu espero que todos nós ainda confiemos hoje nesta verdade. Eu adoro o senso de humor de Deus!

Como é que eu, que tenho menos habilidade em português do que qualquer outro nesta assembléia sou convidado a pregar para vocês, uma comunidade de língua portuguesa! Sem o poder do Espírito Santo isso seria um desastre potencial.

As leituras que nossos ordinandos escolheram iniciaram com as palavras do profeta Isaías: “Quem enviarei e quem há de ir por nós?” E o profeta respondeu “Eis-me aqui, enviai-me”.

O chamado que trouxe vocês para este tempo e lugar é cheio da graça de Deus e vem como um dom de Deus.O poder desse dom do chamado de Deus pode ser claramente visto numa parte final de Isaías: (capítulo 43: 1-3) “Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador”.

O poder destas palavras é claro. Quando andamos pela vida, seja dentro de rios caudalosos ou em chamas ardentes, nosso Deus está conosco chamando cada um por seu nome!

Meus caros amigos: quando vocês começarem seu ministério como diáconos vocês precisam iniciar pela percepção de que vocês estão aqui não porque realizaram as expectativas de Deus. Não é a sua sabedoria, seu charme, sua riqueza, sua força, sua beleza ou seu sucesso que trouxeram vocês até aqui, mas sim a graça e o amor de Deus.

Lembrem-se que não é que vocês precisam realizar as expectativas de Deus ou de qualquer outra pessoa para que este trabalho esteja feito. Devemos nos lembrar que teremos sucesso apenas quando confiarmos no poder e força do amor de Deus. Um ministério falha muitas vezes porque nos preocupamos em atender as expectativas de outros. Isto é perigoso. Precisamos simplesmente confiar em Deus. Como diáconos seu trabalho é esforçar-se para fazer o máximo, respondendo às necessidades do mundo em que nos encontramos e deixar claro para a Igreja quais são aquelas necessidades, sempre sabendo que a vitória será encontrada no amor, na paz e na inteireza de Deus!

As palavras que Jesus disse na sua ressurreição são simples: A Paz esteja contigo. É esta paz de Deus que nós nos esforçamos para compartilhar e ensinar ao mundo. Espero que saibamos que a palavra paz não implica numa ausência de conflito, mas quer dizer inteireza. A palavra hebraica é Shalon. A palavra em inglês para totalidade, inteiro (wholeness) vem da mesma raiz de santo, vigoroso, saudável (holy, hearty, healthy). A visão de nosso Deus para o mundo é esta Shalon. A paixão de nosso Deus é que todos nós sejamos inteiros, vigorosos, saudáveis e santos.

Nenhum de vocês, ordinandos, está aqui porque vocês satisfizeram as expectativas de Deus. Vocês estão aqui simplesmente pela graça de Deus e o dom da redenção.

Estamos vivendo num tempo interessante com difíceis desafios à Igreja. A Comunhão Anglicana está lutando com o eterno conflito de unidade.

Precisamos lembrar nossa história. A Comunhão Anglicana foi construída sobre conflito. Nossa história como Igreja foi muitas vezes brutal e até sangrenta. Lembrem-se que foi a sabedoria da Rainha Elizabeth que nos chamou para focar em adoração conjunta. Acredito que é através de adoração conjunta que possamos erguer nossos laços comuns de afeição e encontrarmos nossa unidade e nossa inteireza.

Como diáconos são chamados para estudar e ensinar a mensagem das escrituras. Como diáconos são chamados para preparar a Santa Mesa da mesma forma como nós nos preparamos para o banquete.

Como diáconos, são chamados para ler o Evangelho. Reconheçam a verdade de que as boas novas e o trabalho redentor do amor de Deus não vêm de nossos esforços ou do nosso cumprimento de suas expectativas, mas como um dom santo para nós e todo mundo. Como diáconos, são chamados para proclamar as necessidades do mundo. Façam isto com grande vigor e paixão, mas também com a paz duradoura dada por Deus, plena com a visão do Shalon. Saibam que a despeito de todo sofrimento, incertezas e medo que encontramos que a paz de Deus que Cristo ressuscitado oferece a todos nós, nos torna inteiros e sadios. Dou graças a Deus por cada um de vocês e suas famílias.

Que Deus vos abençoe em vossos ministérios e que Deus abençoe todos nós.
Revmo. Churchill Pinder
Deão da Catedral Episcopal de Santo Estevão, Pensilvânia


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