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O que é a Perfeita Alegria


Estamos novamente iniciando o Ano, tenho uma esperança na melhora do Mundo, uma mudança radical no ser humano, uma transformação social muito radical nas nossas vidas. Porém vem sempre a minha mente uma pergunta que sempre me fez refletir e, com isso, levo meus irmãos da comunidade de São Bernardo do Campo a refletir e a se questionar e hoje quero partilhar com todos os da nossa Diocese e com todos os leitores do Jornal Sal da Terra. O que é a Perfeita Alegria? Gostaria então de usar um episódio acontecido há algum tempo e que é muito real ainda, nos dias de hoje.

“Em certa tarde de inverno impiedoso, Francisco e Leão sobre a neve caminham. Vão tornando a Santa Maria com fome e com frio, ao final de outro dia. Frei Leão vai na frente, ligeiro, Frei Francisco o chama e lhe diz: Frei Leão, toma nota se queres saber o que é a perfeita alegria. Se nós tivermos a graça de Deus de pregar o Evangelho e a cruz. E por obras e exemplos pudermos levar a Jesus. E convertermos os homens à fé, até mesmo os de mau coração. Frei Leão, isso ainda não é a perfeita alegria.

Imagine, Leão, que Deus nos tenha dado a graça de a todos curar. De fazer ver aos cegos; e aos coxos, andar; surdos, ouvir; e mudos, falar. E que até demônios fugissem ao comando do nosso olhar, e que mortos nós ressuscitássemos... Isso não é a perfeita alegria. E se falássemos todas as línguas com o dom de bem comunicar, transformando os reinos de terra em reinos de paz. E se soubéssemos toda ciência e os segredos da terra e do mar. Frei Leão, isso ainda não é a perfeita alegria. Mas, então, Pai Francisco, o que é a perfeita alegria?

Se, ao chegarmos ao nosso convento e batermos depressa esperando entrar. E o porteiro do lado de dentro, ao invés de abrir, põe-se a assim falar: Quem sois vós que assim, importunos, nesta hora nos incomodais? Somos nós, teus irmãos, Frei Leão e Francisco, que chegam e querem entrar. E, Frei Leão, se o porteiro disser que é mentira e que não abrirá? Que encontremos um outro lugar em um canto qualquer. E se nós, diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a paz, isso é a perfeita alegria.

Mas, se nós insistirmos em pranto que abra, que tenha piedade de nós. Pois, com fome e tão necessitados, na noite não temos consolo e lugar. E se então o porteiro sair, empunhando um bastão e gritar e bater em você e em mim muito mais, deixando-nos no chão a chorar. E Frei Leão, se for Deus quem tal faz, que nos deixa na noite e na cruz, se entendermos que este abandono imita Jesus. E se nós, diante da porta fechada, sob a noite e a neve que cai, conservarmos a paz, isso é a perfeita alegria”.

Meus queridos irmãos, muitas vezes, no nosso cotidiano, a perfeita alegria está apenas no ter, no prazer e principalmente no poder, poder que corrompe, nos faz desobedientes ao nosso superior direto, no caso de uma Diocese, o bispo, no caso de uma família, o pai ou a mãe. Poderíamos pensar até que essa perfeita alegria está em um ter, mas, se observarmos bem, nós não temos nada, pois somos um nada nesse Mundo, que não está voltado muitas vezes para seu criador, e sim apenas para as criaturas, que são frágeis como cristal: qualquer ato indevido as quebra. A perfeita alegria não está longe de nós, basta querermos que ela tome conta de nossas vidas e de nosso ser.

Precisamos urgentemente mudar nossa forma de ver o Mundo, as pessoas e, principalmente, a nós mesmos, pois, no momento em que nos dedicarmos a nos olhar de uma forma mais fraterna, seremos melhores. Desejo a todos os leitores do Jornal Sal da Terra um Ano de muito amor, paz e felicidade, que esse jornal seja uma luz para as pessoas e para nossa diocese!

Um abraço fraterno a todos...
Revdo. Alessandro Graciano
Ministro em processo de reconhecimento das Sagradas Ordens, responsável pelo Ponto Missionário Ressurreição, em SBC


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